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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A Fada de Mármore




   
Possivelmente poucos têm notícias de que Sócrates, o filósofo grego, era também escultor. De um modo geral, todos o conhecem como o mestre de Platão. O precursor das idéias cristãs.
Mas ele era também um escultor muito bom. 

Um dia, ele recebeu um pedido da prefeitura de Atenas para esculpir em mármore a estátua de uma fada, que deveria ser colocada em um bosque, próximo de uma fonte.
Sócrates aceitou a encomenda. Tratou logo de providenciar um bloco de mármore branco e se pôs a trabalhar.

Durante algum tempo ficou olhando para o imenso bloco branco. Mentalizou, idealizou intensamente a estátua e,  então, colocou mãos a obra.
Empunhou o martelo e foi desbastando a pedra. Lascas enormes voavam para um e outro lado da sua oficina.

Mais tarde, ele largou o martelo e os outros instrumentos pesados, rústicos, e empunhou ferramentas mais leves como o cinzel.
Para o acabamento da estátua serviu-se de uma pedra esmeril, com muita delicadeza.

Finalmente, a estátua ficou pronta para admiração do povo.

Era a figura de uma jovem esbelta, como os antigos concebiam as divindades dos bosques e das águas. Seu aspecto era tão leve que ela parecia flutuar no ar. E, no entanto, era toda de mármore.
Ante os elogios do povo, Sócrates explicou que ele verdadeiramente não esculpira a estátua.
Quando olhara o bloco de mármore, ele vira que a ninfa das águas estava pronta, dentro dela.

O que fiz, dizia, foi simplesmente retirar o excesso de pedra que a cobria e descobri-la para os olhos de todos.



Assim também é no ser humano. A maioria das pessoas somente vê o material, o corpo físico. E por essa aparência adjetiva a criatura como feia, bonita, simpática, antipática, etc.
Poucos podem ver o invisível, a alma do ser que carrega aquele corpo.

E a alma, para se revelar em toda a sua grandeza, necessita passar por um processo semelhante ao do mármore.

É assim que temos o martelo da dor, retirando as arestas, o cinzel da disciplina e a pedra esmeril do tempo trabalhando juntos, a fim de que o Espírito mostre toda a sua beleza e seu potencial.

É por isso que se torna importante o homem entender o porquê da dor, da disciplina, a sabedoria do tempo para que ele se mostre na sua totalidade: a estátua de beleza e leveza, esplendorosa, oculta sob a capa da matéria bruta.



" Momentos de Refexão"



Todos passamos por momentos de cinzelamento.
Por isso és hoje a pessoa fantástica que está aqui!

Desculpem a ausência por motivos imperativos.
Beijo!

Túlia

12 comentários:

Mariazita disse...

Bom dia, Túlia
Confesso a minha ignorância!
Pertenço a esse grupo de pessoas, provavelmente bastante grande, que conhece (pela minha parte, até hoje...) Sócrates apenas como um GRANDE filósofo.
Mas gostei de o conhecer sob essa faceta de escultor, e da reflexão que esse facto originou.
Acontece com frequência julgarmos as pessoas só pela sua aparência, sem nos determos a imaginar o que estará poe detrás da "fachada".
A verdade é que, também, cada vez mais as pessoas se "escondem" não revelando a sua verdadeira maneira de ser.
Penso que é o medo em que vivemos que nos leva a proceder assim...

Obrigada pela presença no meu espaço.
Aproveito para informar que amanhã, dia 30, publicarei um novo post, e gostaria de te ver na minha «CASA». Obrigada, desde já.

Beijinhos

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

Aprender até morrer, e eu aprendi algo que não sabia.
Adorei o texto, realmente todos nós temos a tendência de julgar sem conhecer o que está por trás de certas atitudes.
Agradeço a visita sempre carinhosa e deixo o meu beijinho.
Sonhadora

✿ chica disse...

Maravilhoso texto e reflexão pra todos! Que bom te ver! bjs praianos, tuuuuuuudo de bom,chica

Anne Lieri disse...

Oi Tulia! Saudades de vc! Um texto super bem escrito e interessante. Eu não conhecia essa história mas imagino que os artistas sejam assim vendo fadas em pedras brutas!Adorei! bjs,

Mariazita disse...

Olá, Túlia
Passei para ver se havia novidades...
Como não há, deixo votos de excelente semana.
Beijinhos
Mariazita

Aparece. Gostaria de "ouvir" a tua opinião.

Luma Rosa disse...

Oi, Túlia!
Que visão maravilhosa teve Sócrates! A filosofia se materializando no mármore. Naquele tempo, ele era como agora classificam um multimídia, pois trabalhava em duas frentes opostas, ao final, interagindo através da energia que os Deuses tanto inspiravam.
Obrigada pela apresentação do texto!
Beijus,

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

De facto não sabia que era escritor, mas sabia-o capaz de belas mensagens e esta é uma delas. Temos sempre a tendência de julgar as pessoas o que já por si é maus, mas, julgá-las pela aparência...por uma atitude menos incorreta, sem nos darmos ao trabalho de pensar um pouco sobre os motivos que a levaram a essa atitude é, penso, um erro muito grande. Com o passar dos anos fui aprendendo e agora sou muito mais cautelosa nas 1ªas impressões que tenho sobre determinada pessoa. Fui vítima de julgamento precipitado por uma pessoa que se dizia minha amiga; pedi-lhe que marcassemos uma hora para conversarmos, para eu poder avaliar o que realmente aconteceu; não me deu essa oportunidade e até agora ( já se passou 1 mês ) , não me quis ouvir.Fiquei magoada, pois não me pude defender das acusações feitas; aprendi, porém, mais uma vez, que devemos ter muito cuidado ao considerar esta ou aquela pessoa de amiga; AMIGO, não faria isto. Então já há muito que eu considero as pessoas como conhecidos, amigos e AMIGOS, sendo estes últimos muito poucos. Gostei muito deste post, Túlia, pois a mensagem leva-nos a uma grande reflexão. Muito obrigada. Um beijinho
Emília

. intemporal . disse...

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. "descobri-la" para que fosse depois re.descoberta . à passagem de cada olhar . ávido .

.

. uma página muito interessante .

.

. um beijo meu .

.

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Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

passando para agradecer a visita e deixar um beijinho com carinho.

Sonhadora

LUZ disse...

Olá, Túlia!

Há quanto tempo!

Já li, que por motivos imperiosos, você só agora, postou.

Sócrates tinha muitas facetas, não tantas quanto Miguel Ângelo, mas tinha muitas, e algumas nada abonatórias para a época.

De facto, a beleza interior é muita mais importante, que a beleza física, mas se conseguirmos, um pouquinho, dessa última, só nos fará bem.

Bom retorno.

Beijos da Luz.

Beatriz Bragança disse...

Minha querida
Que belos momentos de reflexao nos sao permitidos graças a este belo texto!
Obrigada por partilhar.
Beijinho
Beatriz

Malu Silva disse...

Túlia, fiz várias tentativas para permanecer o Infinito no ar, mas não deu por muitos motivos. Construí outro espaço e estou começando do nada! Espero que goste depois de visitar.
Beijinhos

http://euflordealfazema.blogspot.com