quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Tu
"Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és..."
Caio Fernando de Abreu
O belo da vida!
Beijo
Túlia
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Para ti, amigo/a
Numa época conturbada
onde nada é tudo e tudo é nada
deixo flores
para ti
onde tu fores.
Simples
como a vida e os amores!
Com carinho
Túlia
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Bendito!
![]() |
| Lúcia Sarto |
Benditas mãos que sabem dar voz às flores, ao azul dos Céus e das Águas.
Bendita seja a Beleza da Cor para colorir a possível insipidez de algumas Vidas
Benditos sejam os reflexos do Criador nas tintas da Natureza!
Bendito sejas pelas amizades que não vejo mas sinto
Bendito sejas pela alegria de um nascer de cada dia
Bendito sejas pelo Amor com que revestes tudo o que fazes
E Bendito sejas TU ,
pelos olhos que me deste para admira-te
numa tela onde também te vejo!
Só te posso agradecer-te
amando-TE!
Tua Criatura,
Túlia
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Poesia de Deus
Nos meus momentos de reflexão, tenho a sensação de um sentido de pertença de dádiva, de agradecimento que, como ser humano se intercalam muitas vezes com um enorme sentido de injustiça e alguma revolta por atitudes injustas dos homens.
Mas tudo se desvanece ou atenua com o silêncio que faz parte de mim.
E comungo com a leitura de alguns escritores.
Recordo, a propósito, David Steindl-Rast :
"A poesia inesgotável de Deus vem até mim em cinco línguas: visão, audição, odor, tacto, e sabor.
Tudo o resto é interpretação- crítica literária, por assim dizer, não é a poesia em si, porque a poesia resiste à tradução. Só pode ser plenamente sentida na sua língua original, o que é muito mais verdade para a divina poesia da sensualidade.
Como posso eu então dar sentido à vida senão através os meus sentidos?"
( a continuar )
E haverá poesia maior e mais bela que a Poesia de Deus?
Deus é a própria poesia, escrita não só em palavras mas nas mais belas pinturas nas telas da Natureza!
Beijos de luz
Túlia
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
FELIZ NOVO ANO
As coisas boas da vida comemora-se com o dito "champagne".
Nem que seja um vinho espumoso, a rolha salta alto para comemorar a alegria de um ano novo.
Mas será para saudar o Ano Novo ou comemorar o Ano Velho que agora finda?
E saudamos à incógnita, ao desconhecido!
E dizemos adeus aos bons momentos que o ano velho nos ofereceu porque dos maus é para esquecer...
Mas...enquanto dentro, festejamos com tiros de rolhas para o tecto espirrando espuma e fora ,os espirros do fogo de artifício, há a outra parte desta festa que é festa vazia, sem água sequer; só com fogo do fumo da pólvora!
Desculpem...mas é esta a verdade que passa todos os dias na nas nossas televisões!
Tudo por causa de uns milhões a mais, de poderes demais!
Não há que enganar nem fazer de conta...
Mas nada é definitivo!
Por isso cantemos e brindemos à nova aurora de cada dia!
Ano Novo é cada dia que nasce para nós
Ano Novo é poder VER o que nos rodeia e agradecer a Luz que nos abraça.
Ano Novo é deitarmo-nos com saúde e dormir com o sono dos JUSTOS
Ano Novo é a paz que temos em nós e a espalhamos ,espelhando-nos
Ano Novo é dar a mão sempre que um irmão precisar
Ano Novo é abrir uma garrafa de um outro qualquer vinho e brindar aos AMIGOS, à PAZ, à SAÚDE, a cada DIA que DEUS nos concede.
Ano Novo é quando tenho flores para brindar a vossa presença esquecer-me de mim e voltar a ter os meus bonecos de peluche para me sentir criança de novo.
Para ti, meu amigo/a as minhas flores no meu abraço,
para um ANO FLORIDO e MUITO FELIZ!
Beijo
Túlia
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
FELIZ NATAL E ANO NOVO!
Natal.
Festa da família festa da alegria!
Gostaria de ser otimista hoje aqui e agora mas não! Não posso.
Há o outro lado de mim que me chama para dizer em palavras simples o que a outra parte de mim sente.
Natal foi Festa da Família, sim.
Hoje que festa da família quando tudo se desagrega, quando há tantos desencantos num amor que é só fachada, em filhos que andam de casa em casa - não de lar em lar - como bolas de ténis em campos frios e minados de ruídos silenciosos?
Claro que sei que nem tudo é assim. Que nem todos são assim. Que há exceções...
Este seria o Natal de família tradicional, dirão muitos, de ultrapassada.
Sei.
Mas há mais Natais que ficam pelos caminhos de ninguém.
Não, já não falo dos pobres - ah, deixem-me dizer pobres, porque é isso que são os que têm fome de amor, justiça , emprego e pão ! Mas agora não deve dizer-se assim. Agora são os carenciados. Carentes.
E um carente o que é senão um pobre de tudo? Ah esta sociedade que gosta de máscaras para se dizer solidária. Sim porque agora também não se deve dizer Caridade.
Isso é da religião. Agora é solidária!
E aí estão as senhoras de avental ajudando,- muito bem vestidas de resto - os "carenciados"!
Deixem soltar este grito azedo que me corrói a alma quando vejo máscaras num lado, e festanças no outro.
É a crise, dirão.
A crise foi provocada pela oferta de dinheiro - meu Deus o que não andará pelo meio! - as gentes gastaram porque os bancos assediavam com ofertas em que os papalvos caíam! Agora dizem " Gastamos demais e agora temos que pagar"! Quem gastou? Quem comeu? Quem corrompeu? Quem fugiu?
E paga o justo pelo pecador!
Pobres, sempre houve. E ricos também. Agora querem que haja uma igualdade quando é só apregoada para parecer bem nos Direitos do Homem! Mas como? Onde está a doutrina "não lhe dês o peixe, ensina-o a pescar"? O maior problema é que o drama maior está na falta de emprego. E aí sim. Nem cana para pescar peixe. Não há mais onde pescar. Aqui começa o drama.
Cresci entre os humildes que é assim que gosto de chamar. Cresci brincando com eles, falando com eles, ,comendo com eles, repartindo com eles.
E é por isso que para mim a humildade é das virtudes mais raras e cara que há. Porque todos gostam de ser muito no sentido social, possuir muito. Assim é que têm estatuto. Assim são alguém na vida...
Mas quem é quem na vida?
Não somos nada. Não temos nada. Temos a vida e isso a devemos ao Criador.
Mas até Este não sei como suporta tanto! Como são capazes de não ver que para lá das cortinas, existe um Pai?
Mas por aqui não vou. Respeito porque a fé é um dom. E" Graças a Deus muitas, mas com Deus nenhumas!" - diz o ditado...
Desculpem este texto de Natal.
É suposto cantar o Natal e eu canto! Mas hoje apeteceu-me brindar
aos desamparados da fé,
aos sem abrigo,
aos desvalidos,
aos doentes,
aos velhinhos,
aos que sofrem.
Aos mutilados,
aos inválidos.
Para eles também um bom Natal. Um alegre Natal se puderem! Mas a Paz faz poiso na casa deles!
Para vós meus amigos que me lestes, perdoai este desabafo.
Não o leiam no Natal.
Deixem para depois.
E para vós meus companheiros de jornada, que ainda são tão poucos, vos desejo
um FELIZ E ALEGRE NATAL na companhia de quem mais amais.
Vossa
Túlia

FELIZ NATAL E BOM ANO NOVO PARA TODOS!
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Mais do que sonho
mais do que um sonho: comoção!
sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.
sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.
e recompões com essa veste,
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.
mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.
David Mourão Ferreira
Quem melhor que David Mourão Ferreira para cantar a beleza do amor com o seu dom de extraordinário poeta?
Aqui vos deixo a festa da poesia!
Aqui vos deixo a festa da poesia!
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Amar
“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”
Clarice Lispector
Todo o Amor tem como recompensa mais amor!
Só dá amor quem ama.
Túlia
sábado, 17 de novembro de 2012
Lágrima de Preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterlizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Madei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro
nem vestígios de ógio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
Tela : Van Gogh
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Ilha
![]() |
Deitadas és uma ilha. E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
Deitas és uma ilha. Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias.
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
Deitas és uma ilha. Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias.
Pintura - Arthur Brav.
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