Natal.
Festa da família festa da alegria!
Gostaria de ser otimista hoje aqui e agora mas não! Não posso.
Há o outro lado de mim que me chama para dizer em palavras simples o que a outra parte de mim sente.
Natal foi Festa da Família, sim.
Hoje que festa da família quando tudo se desagrega, quando há tantos desencantos num amor que é só fachada, em filhos que andam de casa em casa - não de lar em lar - como bolas de ténis em campos frios e minados de ruídos silenciosos?
Claro que sei que nem tudo é assim. Que nem todos são assim. Que há exceções...
Este seria o Natal de família tradicional, dirão muitos, de ultrapassada.
Sei.
Mas há mais Natais que ficam pelos caminhos de ninguém.
Não, já não falo dos pobres - ah, deixem-me dizer pobres, porque é isso que são os que têm fome de amor, justiça , emprego e pão ! Mas agora não deve dizer-se assim. Agora são os carenciados. Carentes.
E um carente o que é senão um pobre de tudo? Ah esta sociedade que gosta de máscaras para se dizer solidária. Sim porque agora também não se deve dizer Caridade.
Isso é da religião. Agora é solidária!
E aí estão as senhoras de avental ajudando,- muito bem vestidas de resto - os "carenciados"!
Deixem soltar este grito azedo que me corrói a alma quando vejo máscaras num lado, e festanças no outro.
É a crise, dirão.
A crise foi provocada pela oferta de dinheiro - meu Deus o que não andará pelo meio! - as gentes gastaram porque os bancos assediavam com ofertas em que os papalvos caíam! Agora dizem " Gastamos demais e agora temos que pagar"! Quem gastou? Quem comeu? Quem corrompeu? Quem fugiu?
E paga o justo pelo pecador!
Pobres, sempre houve. E ricos também. Agora querem que haja uma igualdade quando é só apregoada para parecer bem nos Direitos do Homem! Mas como? Onde está a doutrina "não lhe dês o peixe, ensina-o a pescar"? O maior problema é que o drama maior está na falta de emprego. E aí sim. Nem cana para pescar peixe. Não há mais onde pescar. Aqui começa o drama.
Cresci entre os humildes que é assim que gosto de chamar. Cresci brincando com eles, falando com eles, ,comendo com eles, repartindo com eles.
E é por isso que para mim a humildade é das virtudes mais raras e cara que há. Porque todos gostam de ser muito no sentido social, possuir muito. Assim é que têm estatuto. Assim são alguém na vida...
Mas quem é quem na vida?
Não somos nada. Não temos nada. Temos a vida e isso a devemos ao Criador.
Mas até Este não sei como suporta tanto! Como são capazes de não ver que para lá das cortinas, existe um Pai?
Mas por aqui não vou. Respeito porque a fé é um dom. E" Graças a Deus muitas, mas com Deus nenhumas!" - diz o ditado...
Desculpem este texto de Natal.
É suposto cantar o Natal e eu canto! Mas hoje apeteceu-me brindar
aos desamparados da fé,
aos sem abrigo,
aos desvalidos,
aos doentes,
aos velhinhos,
aos que sofrem.
Aos mutilados,
aos inválidos.
Para eles também um bom Natal. Um alegre Natal se puderem! Mas a Paz faz poiso na casa deles!
Para vós meus amigos que me lestes, perdoai este desabafo.
Não o leiam no Natal.
Deixem para depois.
E para vós meus companheiros de jornada, que ainda são tão poucos, vos desejo
um FELIZ E ALEGRE NATAL na companhia de quem mais amais.
Vossa
Túlia
FELIZ NATAL E BOM ANO NOVO PARA TODOS!